” E diz que, igual a mim, ninguém te amou…”
– por Monique Belmont
Ela não podia, ou achava que não podia. Ele não sabia; ainda não sabia. Ela o procurava sempre em seus sonhos, pensamentos, canções. A voz dele era acalanto para o desassossego de seu coração; para a agonia que a espera daquele amor causara em seu peito.Ele queria voar. Mas não queria ir só. Não gostava de ser só. Ele sonhava com a perfeição do amor mesmo que não fosse completamente perfeito.
O amor em si já era suficiente.Ela o conhecia bem. Gestos, gostos, todas as características possíveis para que não houvesse erro. Ela apresentou – se com sua amada. Ele sorriu e agradeceu. Disse que o amor cheirava a doce, é bom; mas não acreditou que seu grande amor fosse estar tão perto e não podia ser tão fácil. Então ele foi embora.Ela chorou, sofreu, lutou para que todo aquele sentimento dela saísse, e que para ela não voltasse. Procurou outros abraços, outros beijos, outros amores, mas aquele verdadeiro, ela nunca esquecera.
Ele também tentou; procurou outros cheiros, outros braços, outras camas, mas sempre retornava à sua lembrança, aquele amor que nunca experimentara, que não acontecera, mas que ele sabia da sua real existência.
Ele a procurou. Sentiu enfim, de verdade, o amor que ela antes lhe contara. Viu que o amor resistira ao tempo, ao não. Viu que, apesar da mágoa que ele a causara, sentiu ao vê-la, que o amor permanecia em seu coração guardado, exatamente como deixara.Ele resolveu aceitar o amor. Vivera feliz, descobriu novos cheiros, nomes, sentidos. Descobriu o amor e sua real essência. Descobriu seus derivados. Descobriu o poder do toque, do beijo, do sussurro. Descobriu enfim, o lugar onde morava sua felicidade.




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